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6 min de leitura

Informação falsa no site feito com IA: riscos e como revisar

A IA pode inventar serviços, preços, prazos e dados no site do seu negócio. Veja como isso afeta a confiança, o que diz o Código do Consumidor e como revisar.

Uma ferramenta de inteligência artificial escreve o texto do seu site em minutos, e escreve bem. O risco é que, no meio de frases convincentes, apareçam informações que não são verdade: um serviço que você não oferece, um prazo que você não cumpre, uma garantia que você nunca deu, um número que ninguém mediu. No site do seu negócio, o que está escrito vira promessa ao cliente. E, pelo Código de Defesa do Consumidor, uma promessa publicada pode ser cobrada.

Veja por que isso acontece, o que a IA costuma inventar, o que diz a lei e como revisar o site antes que um cliente encontre o erro.

Por que a IA inventa informação

A IA generativa não consulta um arquivo de fatos sobre o seu negócio. Como explica o Google nas orientações sobre conteúdo gerado por IA, os modelos generativos não recuperam fatos: eles preveem uma sequência provável de palavras. Por isso, o próprio Google diz que é fundamental verificar os fatos e revisar manualmente todo conteúdo gerado com IA.

Na prática, quando falta uma informação, a ferramenta preenche o espaço com o que é comum em negócios parecidos com o seu. Esses erros ganharam o nome de “alucinações”. O texto sai fluente, no tom certo, e é justamente por isso que o erro passa: nada na frase avisa que ela foi inventada.

O que a IA costuma inventar no site de um negócio

Serviços que você não oferece

Uma clínica que não atende convênio aparece com “aceitamos os principais convênios”. Uma oficina que fecha no domingo vira “atendimento 7 dias por semana”. Um prestador que atende três bairros passa a “atender toda a região metropolitana”. O cliente chega esperando aquilo, e a primeira conversa já começa com uma frustração.

Preços, prazos e garantias

É o tipo de erro mais arriscado. Frases como “orçamento em até uma hora”, “entrega no mesmo dia”, “garantia estendida em todos os serviços” ou “satisfação garantida ou seu dinheiro de volta” parecem só bons argumentos de venda. Mas são compromissos concretos. Se você não pode cumprir, eles não podem estar no site.

Dados e estatísticas sem fonte

“Centenas de clientes satisfeitos”, “referência na região há mais de uma década”, “pesquisas mostram que a maioria das pessoas prefere…”. A IA costuma criar números e estudos para deixar o texto mais convincente, e às vezes inventa até depoimentos com nome e sobrenome. Um dado sem origem, quando é descoberto, faz o visitante duvidar de todo o resto.

Afirmações que ferem as regras do conselho

Para profissões regulamentadas, o risco vai além do cliente. A IA tende a escrever no tom de anúncio: “o melhor advogado da cidade”, “resultado garantido”, “tratamento definitivo”, “especialista em” para quem não tem o título registrado.

São exatamente frases que as normas dos conselhos vetam. Dois exemplos:

  • A Resolução CFM 2.336/2023 proíbe o médico de “garantir, prometer ou insinuar bons resultados do tratamento” e de divulgar conteúdo inverídico (art. 11, incisos XII e XVI). Também veda que o médico que não é especialista divulgue que trata órgãos ou doenças específicas (art. 11, inciso I).
  • O Provimento 205/2021 da OAB exige que as informações divulgadas sejam “objetivas e verdadeiras” (art. 1º, § 1º) e veda a promessa de resultados (art. 6º).

Outros conselhos, como os de odontologia e psicologia, também têm regras próprias de publicidade. Se você é da área da saúde, um site para clínica precisa nascer pensado para respeitar essas normas, sempre com a validação final do profissional responsável.

Por que isso afeta a confiança

O cliente compara o que leu com o que encontra. Se o site diz “atendimento imediato” e a resposta no WhatsApp leva um dia, ou se o preço anunciado não existe, a impressão que fica não é de um descuido. É de que a empresa não cumpre o que diz.

E a desconfiança se espalha. Uma informação errada faz o visitante duvidar também das verdadeiras. Pode virar uma avaliação negativa no Google, que outros clientes vão ler antes de chamar você. E dados diferentes no site e no perfil do Google confundem quem pesquisa, por isso vale manter o Perfil da Empresa no Google e o site sempre com as mesmas informações.

O que diz o Código de Defesa do Consumidor

Alguns artigos do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) ajudam a entender o tamanho do risco:

  • Art. 30: toda informação ou publicidade “suficientemente precisa”, divulgada por qualquer meio, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser fechado. Um prazo, um preço ou uma garantia escritos no site são exemplos de informação precisa.
  • Art. 35: se o fornecedor se recusar a cumprir a oferta, o consumidor pode escolher entre exigir o cumprimento, aceitar outro produto ou serviço equivalente ou desfazer o contrato, com devolução do que pagou, corrigida, e perdas e danos.
  • Art. 37: proíbe a publicidade enganosa. O § 1º define como enganosa a informação publicitária inteira ou parcialmente falsa, ou que, mesmo por omissão, seja capaz de levar o consumidor ao erro sobre características, qualidade, quantidade, preço e outros dados do produto ou serviço.
  • Art. 38: quem patrocina a publicidade é quem precisa provar que a informação é verdadeira.

A lei não abre exceção para texto escrito por IA. Quem publica o site é o seu negócio. O CDC ainda prevê pena para quem faz ou promove publicidade que “sabe ou deveria saber” ser enganosa (art. 67). Revisar é a forma de saber.

Este texto não é consultoria jurídica. Em caso de dúvida sobre uma situação específica, consulte um advogado.

Como revisar o site feito com IA

Antes de publicar

  1. Leia cada frase perguntando: isso é verdade hoje? Se você não consegue confirmar, apague.
  2. Compare a lista de serviços com o que você faz de fato. Tire tudo que não oferece, mesmo que seja um plano para o futuro.
  3. Procure os números. Preços, prazos, garantias, anos de experiência, quantidade de clientes, percentuais. Cada um precisa de uma origem que você consiga mostrar.
  4. Confira depoimentos e avaliações. Publique só os reais, com autorização de quem escreveu.
  5. Confira os dados de contato. Telefone, WhatsApp, endereço e horário precisam estar certos e iguais em todos os lugares.
  6. Procure palavras de anúncio. “Melhor”, “garantido”, “definitivo”, “único”, “líder”. Em profissões regulamentadas, compare o texto com as regras do seu conselho.
  7. Revise o que aparece no Google. O Google lembra que título, descrição e textos de imagens gerados por IA também precisam de revisão, porque podem aparecer nos resultados da busca.
  8. Peça para outra pessoa ler. Alguém da equipe percebe na hora o que não corresponde à rotina do negócio.

Depois de publicar

  • Revise o site sempre que algo mudar: preço, horário, serviço, endereço.
  • Marque uma revisão completa a cada poucos meses.
  • Se um cliente apontar um erro, corrija o quanto antes.

Na dúvida, prefira o texto simples e verdadeiro. Um site que diz menos, mas diz certo, convence mais do que um site cheio de promessas que você não pode cumprir. Se você está pensando em fazer o site inteiro sozinho com uma ferramenta de IA, veja também se criar site com IA sozinho vale a pena.

Um site com informações que você assina embaixo

Na criarmeu.site, os textos do site são organizados com você, a partir das informações reais do seu negócio, e você aprova cada etapa antes de o site ir ao ar. Se a sua profissão tem regras de publicidade, o conteúdo é pensado para respeitá-las, com a sua validação final. Conheça o site profissional para empresas e peça um orçamento grátis pelo WhatsApp.

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